Com o objetivo de qualificar e agilizar a assistência a uma das ocorrências que mais exigem rapidez no atendimento médico, a Secretaria-Executiva de Atenção Hospitalar (SEAH) promoveu, no dia 29 de julho, o último encontro da capacitação “Rede AVC Integrada 360º” para unidades de saúde da Zona Leste.
A formação é fruto de uma parceria estratégica entre o município e a Secretaria de Estado da Saúde (SES) para unificar e padronizar o atendimento ao Acidente Vascular Cerebral nas unidades de urgência municipais e estaduais.
O Hospital Municipal Carmem Prudente (Cidade Tiradentes), gerido pelo Santa Marcelina Saúde, foi o local escolhido para sediar a cerimônia de encerramento da formação, que busca otimizar a janela de tempo entre os primeiros sintomas do AVC até a intervenção médica.
“Mais do que estabelecer fluxos assistenciais, esse projeto reafirma o compromisso com uma assistência integrada, padronizada e centrada no paciente. A qualidade de uma linha de cuidado não é medida pela ascendência de um ou de outro hospital, mas pela capacidade de toda a rede atuar como um único sistema”, enfatizou Marcelo Luís Chein Feres, diretor-técnico do Hospital, durante as boas-vindas aos participantes.
Referência no atendimento de alta complexidade na Zona Leste, o Santa Marcelina conta com uma Unidade de AVC estruturada desde 2010. “Implementamos essa linha de cuidado com uma equipe especializada 24 horas, com neurocirurgia, neuroclínica e equipe multidisciplinar. São mais de 12.800 pacientes tratados”, enfatizou Irmã Rosane Ghendin, diretora-presidente da instituição.
Agilidade que salva vidas
O Acidente Vascular Cerebral é um agravo tempo-dependente: quanto menor o tempo entre os primeiros sintomas e a intervenção médica, maiores são as chances de sobrevivência e menor o risco de sequelas graves. Sua complexidade exige fluxos regulados, protocolos padronizados e articulação entre os pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS).
O ideal é que o paciente receba o tratamento indicado em até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas. Para que essa engrenagem funcione contra o relógio, a Secretaria Municipal de Saúde estabeleceu, por meio da portaria 255 de 2024, a Linha de Cuidado do AVC na Rede de Urgência e Emergência da cidade de São Paulo.
A normativa exige um esforço conjunto entre os profissionais e as instituições de saúde para otimizar a janela de tempo até o tratamento indicado. Por isso, a iniciativa idealizou a Rede AVC Integrada 360º.
Cada minuto conta
A neurologista Marcele Schettini, especialista em neurocirurgia vascular pelo Hospital das Clínicas da USP (HC-FMUSP), conduziu a palestra central deste último encontro na Zona Leste. Com o tema “Atendimento ao AVC Agudo: da triagem à perfusão”, a médica detalhou os fluxos essenciais para o socorro imediato aos pacientes.
“A primeira coisa é reconhecer a pessoa com AVC. Não adianta eu saber das técnicas e diretrizes se eu não consegui identificar uma suspeita. Esse reconhecimento precisa ser feito também pela população, atendentes do SAMU e por quem recebe o paciente”, ressaltou.
Depois dessa primeira etapa, o protocolo deve seguir com a confirmação do diagnóstico por exames de imagem ágeis, por isso o processo até a sala da tomografia deve acontecer em cerca de 25 minutos. Com o resultado afirmativo em mãos, o próximo passo é analisar a melhor terapia para aquele paciente, como a trombólise ou a trombectomia, por exemplo.
“Cada minuto conta. De acordo com a última diretriz estabelecida, a janela terapêutica de 4h30 para o tratamento do AVC traz benefícios significativos de recuperação funcional aos pacientes”, pontuou.
A metodologia do projeto estrutura uma atuação conjunta entre a Atenção Primária, o SAMU, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais municipais e estaduais. A finalidade é justamente reduzir atrasos terapêuticos, melhorar desfechos clínicos e fortalecer a cooperação entre Estado e Município.
A consolidação desse modelo representa um avanço estratégico para a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo, garantindo maior equidade, segurança e eficácia no combate ao AVC para a população paulista.
Palco da cerimônia de encerramento
Sob a gestão do Santa Marcelina Saúde, a unidade hospitalar escolhida para ser palco da última formação foi eleita, neste ano, o 9º melhor hospital público do Brasil. O dado é do ranking “Melhores Hospitais Públicos do Brasil”, promovido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), que avalia as instituições do SUS mais eficientes e sem risco para os pacientes.
O Carmen Prudente foi o primeiro hospital municipal do país, e a instituição com menor tempo em atividade (apenas 14 meses), a alcançar o título de Acreditação Nível I pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), em setembro de 2008.
O avanço foi rápido: o Nível II veio em novembro de 2009 e, posteriormente, o hospital alcançou o nível máximo: ONA Nível III (Excelência em Gestão). Atualmente, o Santa Marcelina Cidade Tiradentes integra um seleto grupo de instituições de saúde brasileiras com essa certificação.
Vale destacar que o atendimento ao Acidente Vascular Cerebral não envolve apenas a neurologia. Ele cruza o pronto-socorro, a triagem, o laboratório de análises clínicas, a radiologia e a UTI. A certificação ONA 3 atesta que todos esses setores conversam entre si, minimizando gargalos administrativos que atrasem o socorro.