Evento celebrou a data destacando que a acessibilidade vai além das barreiras físicas e exige mudanças atitudinais, autonomia profissional e processos seletivos mais justos

Em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, lembrado em 21 de setembro, o Santa Marcelina promoveu um encontro institucional para debater avanços, desafios e estratégias para a consolidação de um ambiente de trabalho inclusivo. Durante o evento, a instituição anunciou a meta de atingir, até fevereiro de 2027, 100% do preenchimento das vagas para pessoas com deficiência (PCDs) previstas pela legislação.

Na abertura, a diretora-presidente, Irmã Rosane Ghedin, destacou o compromisso da instituição com a pauta. Segundo ela, o conceito de inclusão não pode ser reduzido ao simples cumprimento de cotas ou à adequação de infraestruturas físicas. “Incluir vai muito além de empregar ou superar barreiras arquitetônicas, é construir conexão, pertencimento e integração real”, pontuou.

Acessibilidade é atitude

A diretora de Gestão Estratégica de Pessoas do Hospital Santa Marcelina, Naira Regina, ministrou a palestra “Cenário Atual e Ações do Programa de Inclusão da Pessoa com Deficiência”. A gestora apresentou os indicadores da instituição e detalhou o plano de ação construído para alcançar a meta integral da cota no próximo ano.

Com mais de 25 mil colaboradores, o Santa Marcelina Saúde conta com 1.007 funcionários com deficiência, número que representa 96,3% do que é estipulado por lei.

Dando sequência às reflexões sobre o tema, a assessora técnica pedagógica de Inclusão e Acessibilidade do Santa Marcelina Cultura, Lucila Ferrini, reforçou que a acessibilidade possui múltiplas dimensões. Além do aspecto físico, Lucila detalhou a importância das acessibilidades:

  • Atitudinal: combate ao preconceito e a estereótipos.
  • Comunicacional: eliminação de barreiras na troca de informações.
  • Instrumental e Metodológica: adequação de ferramentas e processos de trabalho.

Lucila também destacou o uso da Linguagem Simples como uma ferramenta de acesso à informação (conjunto de técnicas de comunicação para elaborar textos claros, diretos e fáceis de entender). Ela enfatizou que a técnica garante que a mensagem seja compreendida com clareza por todos, assegurando que a informação de fato chegue a quem precisa.

Processo seletivo justo e autonomia no cotidiano

O evento foi encerrado com uma roda de conversa reunindo gestores de diversos setores e unidades do Santa Marcelina. O debate focou na prática cotidiana das equipes e nas estratégias para acolher e desenvolver os colaboradores com deficiência.

Entre os principais pontos abordados pelos gestores, destacou-se a necessidade de transformar a porta de entrada da instituição:

  • Seleção centrada nas competências: o processo de recrutamento deve ser transparente, objetivo e focado no perfil profissional do candidato, e não na sua deficiência.
  • Promoção da autonomia: é fundamental quebrar a barreira do capacitismo e da dúvida sobre a competência e a responsabilidade de entrega do profissional.
  • Equidade de tratamento: os participantes defenderam que dar autonomia significa delegar as atribuições e permitir que o colaborador vivencie acertos e erros no processo de aprendizado, assim como os demais membros da equipe.

Com o plano de ação em andamento, o Santa Marcelina Saúde reafirma seu papel social na construção de um ambiente corporativo mais humano, acessível e pautado pela igualdade de oportunidades.