Para além de outubro: Encontro Rosa no Santa Marcelina incentiva o autocuidado diário e alerta sobre fake news

2026-10-16T16:44:24-03:00

É quase impossível questionar alguém sobre o significado da Campanha Outubro Rosa e a pessoa não responder, de imediato, que a iniciativa é voltada para a saúde da mulher ou, mais especificamente, para o combate ao câncer de mama.

Mas, de fato, quais são as ações práticas que devem ser adotadas e o que é preciso saber sobre o tema? Esse foi o princípio central do Encontro Rosa, realizado pelo Santa Marcelina Saúde no auditório São José da Faculdade Santa Marcelina (FASM).

Na abertura do evento, a diretora-presidente da instituição, Irmã Rosane Ghedin, trouxe reflexões acerca do autocuidado feminino, enfatizando que não se trata exclusivamente da prevenção do câncer, mas de buscar o bem-estar dentro da realidade individual de cada uma.

“Focamos tanto nos nossos afazeres e responsabilidades que deixamos de viver bem cada momento, seja no trabalho ou em casa. Além de sermos chamadas a pensarmos na prevenção, precisamos refletir como temos aproveitado os nossos dias para cuidar do que realmente importa”, declarou.

O diretor-técnico do Hospital Santa Marcelina de Itaquera, Leonardo Mauri, destacou que não se pode desprezar os sinais e que esse olhar atento não deve ficar restrito a outubro: “Seja uma secreção na mama ou um endurecimento, diante de qualquer dúvida, procure um médico. A vida é o que temos de mais importante, por isso não abram mão do seu cuidado próprio e diário”.

Mitos e verdades

As mastologistas Dra. Grasiela Benini e Dra. Maria Silvia foram as responsáveis por conduzir um bate-papo com as colaboradoras presentes. As médicas tiraram as principais dúvidas sobre o câncer de mama, abordando temas como prevenção, fatores de risco, prótese e mamografia.

O principal fator de risco para o câncer de mama é ser mulher, mas não se assuste. A explicação para isso é que a glândula mamária feminina é maior, com uma área mais extensa, razão pela qual a incidência em homens é de 1%, contra 99% de casos registrados em mulheres.

Embora esse dado pareça assustador, não deve ser encarado como uma sentença. É aí que entra o papel do diagnóstico precoce, já que a chance de cura dos casos identificados em estágio inicial é de 95%.

Dúvidas sobre os exames de rastreamento também são comuns. A mamografia, por exemplo, é recomendada anualmente apenas após os 40 anos. A indicação nessa faixa etária ocorre por uma limitação técnica, já que a partir dessa idade as mamas passam a ter um percentual maior de gordura, o que possibilita uma melhor visualização de nódulos.

Por isso, o autoexame das mamas é fundamental na rotina. Estar atenta ao próprio corpo no dia a dia ajuda a perceber qualquer alteração rapidamente, embora essa prática não substitua a consulta médica e exames de rotina como o ultrassom.

As especialistas também aproveitaram para desmentir a fake news de que a radiação da mamografia pode causar câncer. “Mesmo quando a mulher precisa realizar mais de um exame por ano, a dose de radiação é muito baixa, não há relação nenhuma entre a mamografia e o aparecimento de tumores. Isso é um mito que prejudica o diagnóstico precoce e, por consequência, a possibilidade de cura”, esclareceu a Dra. Grasiela.

O tocar do sino

O ato simbólico de tocar o sino após as sessões de quimio ou radioterapia é um marco de superação que celebra a vitória contra o câncer. Após 16 sessões de quimioterapia, mais de 40 exames de sangue e uma mastectomia com reconstrução mamária, Luciana Brasone esteve na nossa unidade hospitalar de Itaquera, no dia 14 de outubro deste ano, para fazer soar o som do sino.

Ela foi uma das beneficiadas pela parceria do Instituto Protea com o Santa Marcelina Saúde. Após o diagnóstico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Luciana passou pela regulação e foi direcionada à nossa unidade, onde conheceu o instituto e, antes mesmo de concluir o tratamento, resolveu se tornar voluntária.

O Protea foi criado em 2018 por Gabriella Antici, após o diagnóstico de seu segundo câncer de mama. Na época, ela descobriu que a espera para o início do tratamento de outras mulheres pelo SUS podia chegar a seis meses. Para reduzir esse tempo entre o diagnóstico e a primeira sessão terapêutica, o instituto financia e viabiliza o tratamento para mulheres de baixa renda, possibilitando a ampliação de vagas no Hospital Santa Marcelina de Itaquera.

Por Carolina Franca

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