No Hospital Santa Marcelina, especialista alerta para os fatores de risco, os sinais que não devem ser ignorados e a importância da identificação precoce
Silenciosa, potencialmente grave e ainda pouco reconhecida pela população, a trombose é um sério problema de saúde pública. Estima-se que, em todo o mundo, a doença esteja relacionada a uma em cada quatro mortes. O dado reforça a importância da conscientização sobre prevenção, do reconhecimento dos sinais de alerta e do diagnóstico precoce, especialmente em pessoas que apresentam fatores de risco.
A trombose ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma de maneira inadequada dentro das veias ou artérias, o que dificulta ou bloqueia a circulação. Em determinadas situações, esses coágulos podem se deslocar e atingir órgãos vitais, provocando complicações graves, como a obstrução dos pulmões, conhecida como embolia pulmonar, que pode ser fatal.
O Dia Mundial da Trombose, celebrado em 13 de outubro, reforça a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre uma doença que pode ser prevenida, identificada e tratada. Reconhecer fatores de risco, valorizar sinais de alerta e buscar atendimento médico diante de sintomas suspeitos são medidas que podem fazer a diferença na evolução do quadro e na preservação da vida.
No Brasil, levantamentos da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) apontam a dimensão do problema. Não há um dado específico consolidado apenas para o biênio 2025/2026, mas o último grande estudo divulgado pela entidade mostrou que mais de 489 mil brasileiros foram internados para o tratamento de tromboses venosas profundas em um período de dez anos, entre janeiro de 2012 e agosto de 2023.
Para o Dr. Marcelo Calil, cirurgião vascular e coordenador da residência do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Santa Marcelina, a atenção aos fatores que favorecem a formação dos coágulos é fundamental. “Existem três situações principais que podem aumentar as chances de eventos trombóticos: a estase, que é o sangue parado, como acontece quando o indivíduo permanece muitas horas sentado (em um avião, por exemplo), lesão ou trauma e, por último, o estado de hipercoagulabilidade (também chamados de trombofilias). São pessoas que têm alguma doença, como neoplasia ou condições do próprio organismo que aumentam as chances de ter trombose”, explica o Dr. Marcelo Calil.
De acordo com o Ministério da Saúde, a trombose ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias grandes das pernas e das coxas. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue, causando inchaço e dor na região. Com o aumento da expectativa de vida da população, a incidência de trombose tem crescido. A condição também ocorre com maior frequência em pessoas em tratamento de algumas doenças, como câncer, por exemplo, além de pacientes que passaram por cirurgia ou estão internados.
Trombose e contraceptivos: avaliação individual é fundamental
Outro ponto que merece atenção é o uso de contraceptivos. Segundo o Dr. Marcelo Calil, a avaliação deve considerar a história individual e familiar da mulher antes da indicação do medicamento. “O que é importante em relação à contracepção é a história da mulher que vai começar a utilizar. É preciso verificar se ela tem história familiar ou se ela mesma já teve uma trombose, para então avaliar a contraindicação ao uso do anticoncepcional”, explica.
Dor, inchaço e mudança na cor da perna são sinais de alerta
Os sintomas da trombose podem variar de acordo com o tipo da condição. No caso da trombose venosa profunda, o sintoma clássico é a dor intensa. A perna também pode apresentar inchaço e tom azulado, e a dificuldade para colocar o pé no chão pode ser um sinal de alerta.
A trombose nas veias profundas é a forma mais comum da doença e ocorre geralmente nas pernas. Entre os principais sintomas estão inchaço, dor, sensação de calor e mudança na cor da pele do membro afetado. O desafio, entretanto, está no fato de que muitos casos podem evoluir de maneira silenciosa, sem sinais evidentes, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Quando o coágulo atinge uma artéria
A trombose arterial ocorre quando a formação do coágulo acontece em uma artéria. Nesses casos, os sintomas podem estar relacionados a eventos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). “Se ocorrer no coração, é o sintoma do infarto. Se for no sistema nervoso central, é um AVC. A pessoa pode ter uma crise convulsiva, diminuição de força ou alteração de sensibilidade”, explica o cirurgião vascular.
Movimento e controle dos fatores de risco ajudam na prevenção
A prevenção da trombose envolve hábitos saudáveis e atitudes práticas no dia a dia. Manter-se em movimento, evitar permanecer muito tempo sentado ou em pé, beber líquidos regularmente e controlar fatores de risco, como excesso de peso, fumo e sedentarismo, são medidas importantes. Em situações específicas, como pós-cirúrgico, voos longos ou de pacientes acamados, o uso de meias de compressão e, em alguns casos, de medicação para evitar a formação de coágulos deve ser orientado por um médico.
Quando diagnosticada precocemente, a trombose pode ser tratada com medicamentos que impedem o aumento do coágulo e reduzem o risco de complicações mais graves. O acompanhamento médico regular é indispensável para ajustar doses e monitorar possíveis efeitos colaterais. Nos casos avançados, quando o coágulo atinge o pulmão e provoca embolia pulmonar, trata-se de uma emergência médica que exige atendimento imediato.
Serviço do Hospital Santa Marcelina alia assistência, prevenção e formação de especialistas
O Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Santa Marcelina atua nas áreas de assistência, prevenção e formação de especialistas. O serviço mantém programas de residência médica reconhecidos pelo MEC em Cirurgia Vascular, Cirurgia Endovascular e Ecografia Vascular com Doppler. O coordenador do serviço, Dr. Marcelo Calil, recebeu, em 2022, o Prêmio Alexis Carrel, concedido pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – Regional São Paulo.