Procedimento utiliza músculo e gordura da própria paciente para reconstruir a mama após o câncer, reduzindo a necessidade de próteses; hospital já realizou 10 cirurgias com a técnica
Mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Santa Marcelina contam com uma alternativa avançada para a reconstrução da mama após o tratamento do câncer: a técnica do mini dorsal lipoenxertado, procedimento que combina uma pequena porção do músculo grande dorsal, retirado das costas, com gordura da própria paciente para reconstruir o volume e o contorno da mama.
A técnica, que pode ser realizada de forma imediata ou tardia após a mastectomia, começou a ser utilizada no Hospital Santa Marcelina em julho de 2025. Desde então, o mastologista Dr. Márcio Leonardi já realizou 10 procedimentos, mantendo atualmente uma média de duas cirurgias por mês. Para incorporar a técnica ao serviço, o especialista passou um mês na França em treinamento com o médico Dr. Jean Marc Piat, do Institut Rhéna.
A intervenção representa uma alternativa de reconstrução com tecido da própria paciente. Ao associar uma pequena quantidade de músculo à lipoenxertia – retirada, processamento e reaplicação de gordura de regiões como abdômen ou coxas –, a técnica busca proporcionar resultado mais natural, melhorar a simetria mamária e, em determinados casos, evitar ou reduzir a necessidade de implantes de silicone.
“A proposta é utilizar os próprios tecidos da paciente para devolver volume, forma e naturalidade à mama, com uma abordagem menos extensa do que o retalho dorsal tradicional. É uma técnica que amplia as possibilidades de reconstrução para mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama”, explica o Dr. Márcio Leonardi, mastologista do Hospital Santa Marcelina.
O procedimento utiliza apenas uma pequena porção do músculo grande dorsal, reduzindo a área de dissecção em relação à técnica tradicional. A gordura da própria paciente é utilizada para complementar o volume e aprimorar os contornos da mama. Entre os potenciais benefícios estão a possibilidade de um resultado mais natural, menor dependência de materiais sintéticos e utilização de tecido autólogo na reconstrução.
Outubro Rosa: informação, movimento e cuidado
Para marcar o Outubro Rosa, o Hospital Santa Marcelina também amplia as ações de conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama. Entre as principais atividades está a Caminhada Outubro Rosa Santa Marcelina, aberta ao público, que será realizada no dia 18 de outubro, às 9h, no Parque do Carmo, em Itaquera.
A caminhada terá aproximadamente 3 quilômetros, com concentração próxima a fonte interativa. Após a atividade, os participantes poderão acompanhar uma ação de orientação sobre autocuidado e saúde das mamas com um mastologista do Serviço de Mastologia do Hospital Santa Marcelina.
Ao longo do mês, os colaboradores da instituição também participam de palestras, rodas de conversa, atividades físicas, sessões de massagem e do “Vem de Rosa”, iniciativa que convida as equipes a vestir uma peça de roupa rosa todas às sextas-feiras em apoio à campanha.
Parceria amplia acesso ao diagnóstico e tratamento
Para reduzir a incidência do câncer de mama e apoiar pacientes em tratamento, o Santa Marcelina Saúde mantém desde 2018 uma parceria com o Instituto Protea, ONG que financia cirurgias, exames, consultas, radioterapia e quimioterapia para mulheres de baixa renda. Essa colaboração possibilitou a criação do projeto AMAR – Ambulatório de Mastologia de Alta Resolutividade – onde pacientes com nódulos mamários realizam mamografia, ultrassom e biópsia no mesmo dia, além de obterem os exames pré-operatórios. Após 15 dias, elas retornam com a cirurgia já agendada. Essa iniciativa reduziu o tempo médio de espera para a cirurgia de 60 para 30 dias e, graças ao apoio do Instituto, o número de mulheres tratadas aumentou em 50%.
Nos últimos sete anos, a parceria entre o Santa Marcelina e o Instituto Protea possibilitou a realização de 40 mil sessões de quimioterapia, 70 mil sessões de radioterapia, e o custeio de tratamento para mais de 2.500 pacientes, contribuindo para redução na espera pelo início da terapêutica contra o câncer de mama.
O Protea também coordena na instituição o Grupo de Apoio CORES (Cuidado Otimizado de Reabilitação Emocional e Social), conduzido e coordenado pela equipe de Assistência Social que conta com o apoio de voluntários das áreas de fisioterapia, nutrição, psicoterapia, arteterapia, consultoria de imagem e estilo, educação física, entre outros, que promovem atividades voltadas à mobilidade, autoestima e cuidados complementares com a saúde durante o tratamento.
Inteligência artificial é utilizada no rastreamento do câncer de mama
A parceria com o Instituto Protea também viabilizou a implementação de um projeto de inteligência artificial capaz de ler mamografias e estimar o risco de uma paciente desenvolver câncer de mama nos próximos cinco anos. A tecnologia contribui para o rastreamento e a detecção precoce da doença. Para essa iniciativa, o Instituto Protea e o Santa Marcelina receberam a doação de um mamógrafo digital, que permite a realização de aproximadamente 500 exames por mês.
Prevenção passa pelos hábitos e conhecimento do próprio corpo
Segundo a Dra. Grasiela Benini, coordenadora do Serviço de Mastologia do Hospital Santa Marcelina, o câncer de mama não é completamente prevenível, mas o controle de fatores de risco modificáveis pode contribuir para a redução do risco. Entre as medidas estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso, redução do consumo de bebidas alcoólicas e amamentação.
A especialista também reforça a importância de as mulheres conhecerem o próprio corpo e procurarem avaliação profissional diante de alterações nas mamas.
Entre os sinais que merecem investigação estão:
- nódulo endurecido, fixo e geralmente indolor;
- pele da mama avermelhada ou com aspecto de “casca de laranja”;
- alterações no mamilo;
- saída espontânea de líquido por um dos mamilos;
- pequenos nódulos no pescoço ou nas axilas.
“Na Atenção Primária à Saúde, o Santa Marcelina conta com Unidades Básicas de Saúde em diferentes regiões da Zona Leste de São Paulo. Nesses locais, as mulheres podem participar de grupos e atividades de orientação sobre o câncer de mama, realizar consultas periódicas com médico e equipe multiprofissional e, quando indicado, ser encaminhadas para mamografia e outros exames”, explica a Dra. Grasiela Benini.
Tratamento individualizado e atendimento pelo SUS
O tratamento do câncer de mama é definido de acordo com as características de cada caso, considerando os resultados dos exames de imagem, biópsia e da avaliação anatomopatológica.
“O Hospital Santa Marcelina possui infraestrutura para diagnóstico e tratamento dos casos de câncer de mama, com exames de imagem, ambulatório e equipe especializada. Oferecemos assistência humanizada e atendimento particular, por convênios e também de forma gratuita aos pacientes do SUS”, destaca a mastologista.
O Serviço de Mastologia é referência na Zona Leste de São Paulo para casos de maior complexidade e reúne profissionais especializados, equipamentos de alta tecnologia, atendimento ambulatorial, diagnóstico, tratamento cirúrgico e acompanhamento das pacientes.
Em 2025, foram realizadas 7.724 consultas ambulatoriais, 4.367 mamografias e 593 procedimentos cirúrgicos pelo Serviço de Mastologia. Entre janeiro e agosto de 2026, foram 5.539 consultas, 2.939 mamografias e 363 procedimentos cirúrgicos.
Serviço
Caminhada Outubro Rosa Santa Marcelina
Quando: 18 de outubro de 2026 (domingo)
Horário: às 9h
Onde: Parque do Carmo – concentração próxima a fonte interativa
Endereço: Av. Afonso de Sampaio e Sousa, 951 – Itaquera, São Paulo – SP