Neste 12 de maio, comemoramos o Dia Internacional da Enfermagem. No Brasil, a data marca o início da Semana da Enfermagem, que segue até o próximo dia 20.

A celebração, instituída ainda na década de 40, presta uma justa homenagem a duas importantes personagens da profissão: Florence Nightingale, pioneira da enfermagem moderna, e Anna Nery, a primeira enfermeira brasileira a se alistar em missões militares.

Para abrir essa semana tão especial, o Santa Marcelina Saúde promoveu uma Missa em Ação de Graças na Faculdade Santa Marcelina, FASM, seguida por uma palestra magna com o tema nacional de 2026: “Técnica, Ética e Política”.

Cuidar exige ação

No Santa Marcelina Saúde, a categoria é o coração da assistência, contando com mais de 7 mil profissionais, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares, distribuídos entre as unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) e os hospitais da rede.

Durante o evento, a diretora-presidente da instituição, a Irmã Rosane Ghedin, destacou que, por mais que a tecnologia avance, ela jamais poderá substituir o olhar sensível, a compaixão e o cuidado humanizado com os pacientes.

“O cuidar exige coração e ação, e a tecnologia nunca vai substituir isso. Ter técnica é uma obrigação, mas nós não recebemos diploma de sensibilidade e humanização. E, é exatamente isso que faz a diferença em toda a técnica que você conhece”, declarou a Irmã.

A força da enfermagem

A dimensão da enfermagem no Brasil impressiona. Atualmente, o país conta com mais de 3,2 milhões de profissionais, sendo que 670 mil estão concentrados apenas no estado de São Paulo. Esses números significam que, hoje, a enfermagem representa 60% de toda a força de trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS).

Foi com esse cenário que Sérgio Cleto, presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), abriu sua fala no evento. Durante a palestra “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado”, ele reforçou a importância de cada um desses profissionais.

“Somos a força motriz e a coluna dorsal da saúde pública de todo o país. Cuidamos de todos, independentemente de classe social, gênero ou religião”, afirmou.

Conquistas e pilares inegociáveis

O nascimento da enfermagem moderna está profundamente ligado ao aprimoramento de processos fundamentais, como a higienização rigorosa e a organização criteriosa dos pacientes. E é justamente a técnica que transforma o ato de cuidar em segurança efetiva.

De acordo com Sérgio, a ética é a bússola para as decisões difíceis. O compromisso de manter a excelência e fazer o que é correto em todas as circunstâncias, mesmo quando não há supervisão direta.

Por fim, o presidente do Coren-SP enfatizou que a enfermagem está na ponta do atendimento, onde tudo acontece, por isso, ela precisa ocupar espaços de decisão para definir os rumos da saúde.

“Foi se posicionando que a categoria garantiu conquistas históricas. Entre elas, a Lei 7.498/86, que consolidou a enfermagem como profissão, e a Lei 14.434/22, que estabeleceu o piso salarial”, relembrou Sérgio, destacando ainda a luta constante por melhores condições de trabalho.

Mesa Redonda: vivências nos 30 anos da APS

Um dos momentos mais marcantes foi a mesa redonda “Dialogando com a trajetória dos 30 anos da APS”. Profissionais compartilharam como os pilares do evento se aplicam no dia a dia em diferentes frentes de atendimento.

Gestão: Amanda de Souza, enfermeira responsável técnica (RT) e de vigilância da UBS Cidade Nova São Miguel, explicou que a organização na gestão do cuidado é o que dá o suporte necessário para uma assistência técnica segura.

Saúde Mental: Luciana Soares, enfermeira RT no CAPS Adulto II de São Miguel, ressaltou que a escuta qualificada é a principal ferramenta para construir vínculos e manejar crises de forma humana.

Reabilitação: Luzia Kamila Barbosa, enfermeira e coordenadora da estratégia APD no Centro Especializado em Reabilitação (CER) de São Miguel, lembrou que, neste setor, a técnica deve ser traduzida de forma simples para as famílias, já que o cuidado continuará em casa por pessoas que não são da área da saúde.

Urgência e Emergência: Denise Schran, supervisora de enfermagem e RT na UPA 26 de Agosto, defendeu que reconhecer a história e a vulnerabilidade de cada paciente é essencial para tomar decisões rápidas e corretas sob pressão.

Transição de Cuidados: Daiane Aparecida da Silva Medeiros, supervisora de enfermagem no Hospital Dia Itaim Paulista, destacou o papel das unidades de especialidades, que são intermediárias, e exigem sensibilidade e capacidade técnica para garantir que o paciente passe da unidade básica para a alta complexidade com segurança.

Orgulho de cuidar

O Santa Marcelina Saúde expressa seu profundo agradecimento ao Coren-SP pelo apoio institucional e à Papelaria Romanesque pelo suporte fundamental para a realização deste encontro, contribuindo para que esta homenagem alcançasse o brilho que os profissionais merecem.

As celebrações não param por aqui: ao longo de toda a semana, as unidades da rede seguem com suas programações locais, promovendo momentos de integração, palestras e homenagens que reforçam o orgulho de ser profissional da enfermagem.

Celebrar esta semana é, acima de tudo, valorizar aqueles que dedicam a vida a amparar a do próximo.