Reafirmar o compromisso com a transformação social, a escuta ativa e a construção de uma sociedade mais justa. Com esse propósito, o Encontro Interinstitucional do Serviço Social 2026 reuniu profissionais da área para debater o papel técnico e político da profissão.

Realizado na manhã desta segunda-feira, 25, o evento promoveu a integração entre as equipes que atuam nas diversas frentes da Rede Santa Marcelina. O objetivo principal é fortalecer o trabalho entre equipes, valorizar a troca de experiências e refletir sobre os desafios e as potencialidades da prática profissional do assistente social.

A responsabilidade formativa e acolhedora da profissão marcou o discurso de abertura da diretora-presidente, Irmã Rosane Ghedin. “Esta proximidade com as pessoas é fundamental em cada uma de nossas ações. A humanização precisa guiar o nosso olhar e a nossa prática profissional, e vocês fazem isso com maestria, são verdadeiros exemplos”, declarou.

Princípios Fundamentais

Estabelecidos pelo Código de Ética Profissional do Assistente Social, os 11 pilares do Serviço Social são os princípios fundamentais que norteiam a defesa dos direitos humanos, a justiça social e a atuação crítica da categoria. O documento foi lembrado durante a palestra “Ética e Direitos Humanos”, ministrada pela assistente social Samara Maranhão, da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Carmosina.

“Nossos princípios não são neutros, são políticos, e a nossa atuação também precisa ser. Não falo de política partidária, mas sim de combater as opressões, fortalecer os espaços de articulação e mobilização social”, destacou.

Samara pontuou que a prática profissional precisa ser ativamente antirracista, anticapacitista e comprometida com o combate ao machismo e a LGBTfobia, enfrentando as estruturas que atravessam e vulnerabilizam a população atendida.

“Como fomos educados em uma sociedade preconceituosa, a desconstrução deve ser diária para não reproduzirmos violências contra a população que atendemos”, enfatizou a profissional sobre o letramento social como ferramenta para combater as desigualdades.

Equipe Multiprofissional

A centralidade do trabalho interdisciplinar também foi destaque. A importância de atuar em conjunto com outras áreas foi destacada pela nutricionista Shaiddy Araújo Faria, que apontou o papel essencial do assistente social no combate à insegurança alimentar. “São esses profissionais que realizam a orientação e ajudam no acesso a programas de renda ou a serviços que garantem a alimentação dos mais vulneráveis.”

O encontro também abriu espaço para valorizar a forte parceria entre assistentes sociais e psicólogos, fundamental para a construção de diagnósticos nos territórios e para um cuidado integral à saúde mental e social dos usuários.

A Trajetória do Serviço Social na Rede Santa Marcelina

O evento resgatou a memória e a competência do Serviço Social na instituição, com a premissa de que não se faz educação, cultura e políticas públicas sem a presença da categoria. Na Rede Santa Marcelina, as políticas de saúde, assistência social, educação e cultura se entrelaçam diariamente por meio da acolhida, da escuta qualificada e da promoção da cidadania de mais de 250 profissionais da área.

APS e Alta Complexidade: a história da profissão na rede é longeva e pioneira, com início em 1974, no Hospital Santa Marcelina de Itaquera, hoje, consolidou-se como suporte vital em todas as unidades hospitalares e também nos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS).

Cultura e Inclusão: além da saúde, o Serviço Social foi integrado ao processo educativo da Santa Marcelina Cultura. Em 2008, a profissão somou forças ao Projeto Guri Santa Marcelina, reconhecido pela educação musical e formação cidadã de crianças e adolescentes. E, com a expansão da gestão do Guri para o Interior, Litoral e Fundação CASA, o trabalho social e o acesso a direitos foram estendidos para todo o estado de São Paulo.

Assistência e Educação: na proteção à família, infância, adolescência e juventude, nasceu em 2012 a Associação Eny Vieira. O nome da instituição é uma homenagem à Irmã Eny Vieira Machado, cuja trajetória é profundamente ligada às ações sociais da Rede. Hoje, a associação acolhe diferentes serviços em Itaquera, realizando o atendimento diário de cerca de duas mil pessoas.

O Encontro Interinstitucional 2026 trouxe a certeza de que a aproximação e o reconhecimento mútuo dessas equipes fortalecem a Rede Santa Marcelina como um polo de potência social e transformação de vidas.