Às vésperas do Dia Mundial de Conscientização, neurologista do Santa Marcelina fala sobre as perspectivas de tratamento e importância do diagnóstico precoce

Estima-se que 2,9 milhões de pessoas no mundo vivem com a Esclerose múltipla (EM), sendo que 40 mil delas estão no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Trata-se de uma condição neurológica, que costuma acometer adultos jovens, entre os 20 e 50 anos, sendo sua maior incidência é registrada por volta dos 30. As mulheres são duas vezes mais afetadas do que os homens e as causas ainda não são completamente esclarecidas, combinando fatores genéticos e ambientais.

Às vésperas do Dia Mundial da Esclerose Múltipla, médicos reforçam a importância da conscientização, do diagnóstico precoce e do apoio às pessoas que vivem com a doença. O neurologista e neuroimunologista do Hospital Santa Marcelina, Dr. Flávio Vieira, especialista em EM, explica que quando o diagnóstico é feito no início é possível para o paciente ter uma vida plena. “Com o tratamento adequado, acompanhamento regular e hábitos saudáveis, muitos pacientes trabalham, estudam, viajam, têm filhos e mantêm vida ativa. Vida plena não significa ignorar a doença, mas aprender a conviver com ela com segurança, planejamento e autonomia”, afirma.

Sintomas e tratamentos

Os sintomas são diversos e, por muitas vezes, passageiros. A doença pode manifestar-se de diferentes formas, incluindo fadiga intensa, fraqueza muscular, alterações no equilíbrio e na coordenação, dores, depressão e problemas no controle urinário e intestinal. Sua evolução também é variável: algumas pessoas apresentam pouca incapacidade ao longo da vida, enquanto outras podem desenvolver limitações importantes.

Apesar de não ter cura, o tratamento adequado é fundamental para garantir qualidade de vida. Nos últimos anos, os avanços são significativos. “Antes, o objetivo era apenas reduzir surtos. Hoje, buscamos controlar a doença de forma mais profunda, evitando crises, novas lesões e progressão. Também há uma tendência de usar terapias de maior eficácia mais cedo, em pacientes com maior risco”, diz Dr. Flávio.

Entre os medicamentos utilizados estão os imunomoduladores e imunossupressores que reduzem a atividade da doença. Existem opções injetáveis, orais e infusionais. Em abril deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou um novo tratamento, que dá esperanças a adultos que apresentam formas recorrentes de EM.

De acordo com o neurologista do Santa Marcelina, no Brasil, estudos mostram diferenças regionais importantes no tempo de descoberta da doença, com maior atraso em regiões com menor disponibilidade de neurologistas.  “O momento ideal para iniciar os cuidados é o mais cedo possível. Sabemos que tratar precocemente reduz surtos, lesões na ressonância e risco de acúmulo de incapacidade. Quando essa “janela” é perdida, parte do dano neurológico pode já ter acontecido e nem sempre é reversível”, lamenta.

O impacto da notícia também pode ser grande. Receber o diagnóstico traz medo do futuro, insegurança, ansiedade e, às vezes, depressão. “O cuidado não deve ser apenas neurológico. O paciente precisa ser acolhido, bem informado e acompanhado também do ponto de vista emocional. A rede de apoio é fundamental: família, amigos e profissionais ajudam o paciente a não enfrentar a doença sozinho”, esclarece dr. Flávio.

Superação e qualidade de vida

A secretária escolar Daniela Teixeira dos Santos, de 39 anos, vive há mais de 10 anos com a EM.  Como a maioria das pessoas, desconhecia a doença e teve muito medo. “Achava que era algo que atingia apenas idosos, tive receio de ficar sem andar”, lembra. A paciente do Santa Marcelina faz todo o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e conta que, apesar de não conseguir fazer atividades que envolvem muito desgaste físico, busca ter uma vida normal. “Aprendi a conviver com essas barreiras a entender que a vida não termina depois de um diagnóstico”, ressalta.

Eu evitei pular as fases que precisamos passar: vivi a revolta, a negação, o luto, até entender que eu precisava reagir e ir em busca de viver bem”, relembra técnica de Enfermagem Lilian de Souza Costa, de 47 anos. Ela conta que, entre muitas idas e vindas ao Hospital, o tratamento com o Dr. Flávio foi fundamental para que ela não tivesse mais surtos e pudesse sentir a melhora. Atualmente, Lilian ainda convive com as limitações da EM, tem parestesia na mão direita, menos força e sente algumas dores. Porém, não desiste e não se entrega. “Faço Natação, Hidroginástica, Alongamento, Pilates e Dança. Com isso eu trabalho meu emocional e procuro ser feliz”, comemora.

Sobre o Ambulatório de Esclerose Múltipla do Santa Marcelina Saúde

O Santa Marcelina Saúde, unidade hospitalar Itaquera, conta com neurologistas especializados em Esclerose Múltipla. Também é integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), com encaminhamento via Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Mais informações pelo telefone: (11) 2523-7800 – segunda a sexta-feira, das 7h às 21h, e aos sábados, das 8h às 14h.