Especialista do Santa Marcelina Saúde explica por que as baixas temperaturas aumentam o risco cardiovascular e orienta como prevenir complicações

A chegada do inverno, marcada para o próximo dia 21 de junho, domingo, traz consigo um alerta importante para a saúde da população. Muito além das doenças respiratórias, as baixas temperaturas estão diretamente relacionadas ao aumento dos casos de infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.

Dados do Ministério da Saúde apontam que as doenças cardiovasculares podem aumentar em até 30% durante os períodos mais frios do ano. Os casos de AVC também apresentam crescimento de até 20% nessa época. Em 2021, por exemplo, as internações por doenças cardíacas entre os meses de junho e setembro representaram 36,8% de todas as hospitalizações registradas no ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil e no mundo, superando diversos tipos de câncer. Segundo especialistas, a queda das temperaturas desencadeia uma série de reações no organismo que aumentam significativamente o risco de eventos graves, especialmente entre idosos e pessoas que já convivem com fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e histórico de doenças cardíacas. “O frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam para preservar a temperatura corporal, fenômeno conhecido como vasoconstrição. Esse mecanismo aumenta a pressão arterial e exige mais esforço do coração, podendo favorecer infartos, AVCs, arritmias, crises hipertensivas e descompensação da insuficiência cardíaca“, explica o coordenador do Serviço de Cardiologia do Santa Marcelina Saúde, Dr. Juliano Novaes Cardoso.

O cardiologista ressalta que esse impacto é percebido na rotina dos serviços de emergência e cardiologia, que registram aumento na procura por atendimento durante os meses mais frios. “Os sinais de alerta não devem ser ignorados. No infarto, os sintomas mais comuns são dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náuseas e mal-estar súbito. Já no AVC, é fundamental observar fraqueza em um dos lados do corpo, dificuldade para falar, alteração facial ou perda repentina da visão. Nesses casos, o atendimento deve ser imediato“, alerta.

Doenças respiratórias também impactam o coração

Outro fator que preocupa os especialistas é o aumento das infecções respiratórias típicas do inverno. Gripe, pneumonia e outras viroses provocam processos inflamatórios que podem desestabilizar o sistema cardiovascular e aumentar o risco de infarto e AVC. Além disso, a maior concentração de poluentes atmosféricos durante os períodos de frio intensifica a inflamação vascular e contribui para o agravamento das doenças cardiovasculares. “A vacinação contra gripe e outras doenças respiratórias também é uma importante medida de proteção cardiovascular, especialmente para pessoas com doenças crônicas“, destaca Dr. Juliano.

Os grupos mais vulneráveis aos efeitos do frio incluem idosos, hipertensos, diabéticos, fumantes e pessoas que já tiveram infarto, AVC ou apresentam alguma doença cardiovascular diagnosticada. No entanto, mulheres e pessoas mais jovens também podem sofrer complicações quando possuem fatores predisponentes.

Prevenção contínua é o melhor remédio

Apesar do aumento dos riscos durante o inverno, medidas simples podem fazer a diferença na proteção da saúde cardiovascular. Manter-se aquecido, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo, controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, além de manter a vacinação em dia, são atitudes fundamentais. “A principal estratégia para reduzir a mortalidade cardiovascular continua sendo a prevenção. O controle adequado dos fatores de risco, hábitos saudáveis, vacinação e diagnóstico precoce são essenciais para proteger o coração durante o inverno e em todas as estações do ano“, finaliza o especialista.