Alimentação balanceada e atividades físicas são essenciais para o tratamento do sobrepeso
O dia 4 de março foi instituído pela World Obesity Federation (Federação Mundial da Obesidade) como o Dia Mundial da Obesidade. A data foi criada com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção do acúmulo de gordura corporal e alertar a sociedade para o tratamento adequado da doença que atinge cerca de 1,04 bilhão de pessoas em todo o mundo.
A obesidade é uma doença crônica, de instalação em logo prazo, sem uma cura definitiva, mas que apresenta um controle. Recorrente e progressiva, ela avança com o tempo e pode piorar com a ausência ou parada do tratamento adequado. A patologia ainda sofre influência multifatorial, com várias causas, como fatores ambientais, metabólicos, genéticos e hormonais, que culminam no acúmulo excessivo de gordura corporal, agregando inúmeros riscos à saúde.
Considerada um grave problema na saúde pública internacional, a obesidade registrou um aumento exponencial em sua prevalência (12,5%), tendo dobrado em quatro décadas e sendo classificada como uma epidemia global pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Atualmente, 1 em cada 8 pessoas é considerada obesa no mundo. Já no Brasil, dados recentes apontam que 34% dos adultos vivem com a doença, enquanto 22% das pessoas estão no sobrepeso, totalizando mais da metade da população adulta.
O endocrinologista do Hospital Santa Marcelina, Dr. Sávio Diego do Nascimento Cavalcante, afirma que o índice de pessoas que convivem com a obesidade preocupa e tende a aumentar nos próximos anos, principalmente entre crianças e adolescentes. “Os estudos mostram que há uma projeção de crescimento significativo da doença, que pode atingir cerca de 1,5 bilhão de pessoas no mundo até 2030. Especialmente para os jovens, a readequação alimentar e a prática regular de atividade física precisam ser incluídas na rotina o quanto antes para reduzir essa tendência”, afirma o especialista.
Grupos de risco
Pessoas com doenças cardiovasculares (infarto e AVC), câncer, diabetes, doença renal crônica e cirrose fazem parte dos grupos de riscos pré-definidos e devem estar em alerta com o sobrepeso. As crianças e adolescentes também merecem atenção especializada.
A preocupação com o aumento da obesidade infantil ganhou destaque nos últimos anos. De acordo com a o Atlas Global sobre Obesidade Infantil, publicado pela World Obesity Federation, nenhum país tem mais de 50% de chance de atingir sua meta de combater a obesidade infantil.
“Desencorajar o elevado consumo de alimentos ultraprocessados e incentivar a prática regular e supervisionada de exercício físico como redução do tempo de tela, tendo em vista que atualmente, mais de 60% das crianças passam mais de 3h/dia em telas, são algumas das formas para prevenir o avanço do quadro.”, comenta Sávio.
Prevenção
As principais maneiras de prevenir a obesidade consistem em: evitar o sedentarismo (praticar ao menos 150 minutos de atividade física por semana), adotar uma dieta equilibrada, com alimentos saudáveis e frescos, evitando os minimamente processados e ultraprocessados (macarrão instantâneo, molhos prontos, misturas de bolos, açúcares e gorduras).
“É sempre importante conferir os rótulos dos alimentos para avaliar os ingredientes, a tabela nutricional e evitar aqueles que são ricos em açúcar adicionado, alto teor de gorduras saturadas ou de sódio, e pobres em fibras ou proteínas. Sempre reforço, ‘descascar mais, e desembalar menos’”, afirma o endocrinologista.
Tratamento
Para os pacientes obesos, o tratamento deve ser multiprofissional, pois envolve mudanças do estilo de vida no campo nutricional e de exercício físico, além da prescrição de medicamentos antiobesidade. Deve ser realizado por meio da combinação de orientações de mudanças de estilo de vida que estão atreladas a prática de exercício físico, qualquer que seja o tipo, cerca de 250 a 300 minutos por semana de atividade física aeróbica de intensidade moderada (caminhada rápida, natação, hidroginástica), além de exercícios de força (musculação) duas a três vezes por semana, sendo idealmente realizados sob supervisão e orientação de profissional da área da saúde capacitado, no caso o educador físico. Em casos mais graves, se faz necessária a realização de procedimento cirúrgico, com a cirurgia bariátrica.
“Fazem parte das orientações de mudança de estilo de vida o reforço a adoção de melhores escolhas alimentares no âmbito nutricional, com uma dieta hipocalórica, sendo pobre em fontes com excesso de açúcar refinado (doces, sorvetes, bolos, tortas, guloseimas, etc), gorduras saturadas (frituras, manteiga, margarina, pele do frango, gorduras das carnes bovinas), as chamadas “gorduras ruins”, e sem fontes de gorduras trans, ou seja, os ultraprocessados, e rica em mais alimentos com carboidratos complexos, fibras, fontes proteicas, verduras, legumes e frutas além de alimentos ricos em gorduras poliinsaturadas, conhecidas como “gorduras boas” (abacate, nozes, castanhas de caju, castanhas do Pará, amendoim; peixes como atum e sardinha; e sementes ou farinhas de linhaça; azeite de oliva e óleo de canola)”, finaliza Sávio Diego do Nascimento Cavalcante, endocrinologista do Hospital Santa Marcelina.
Expertise do Santa Marcelina
O Hospital Santa Marcelina é referência em cirurgia bariátrica na Zona Leste de São Paulo. Os pacientes da instituição são acompanhados pela equipe multiprofissional composta por nutricionistas, endocrinologistas psicólogos e cirurgiões bariátricos. No último ano a instituição realizou 184 cirurgias.