Doença, que é quase 100% prevenível, ainda causa mais de 7 mil mortes por ano no país
O mês de março é marcado pela campanha Março Lilás, dedicada à conscientização e ao combate ao câncer do colo do útero — uma doença que, apesar de altamente prevenível, ainda representa a quarta principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período de 2026 a 2028, o país deve registrar cerca de 19.300 novos casos por ano, número que representa um aumento de 13% em relação a períodos anteriores. A mortalidade também segue elevada, com mais de 7.200 óbitos anuais.
O cenário revela ainda desigualdades regionais importantes: enquanto nas regiões Norte e Nordeste o câncer do colo do útero ocupa a segunda posição entre os tipos mais frequentes, no Sudeste aparece em quinto lugar. A boa notícia é que a ciência já dispõe de estratégias eficazes para eliminar a doença como problema de saúde pública.
De acordo com a oncoginecologista do Hospital Santa Marcelina, Dra. Thais Gomes de Almeida, a maioria das ocorrências podem ser evitadas com o diagnóstico precoce. “Geralmente encontramos um grande volume de pacientes com diagnóstico tardio, com o tumor em estágio localmente avançado. É fundamental que as mulheres se atentem aos sintomas de alerta, como sangramento vaginal anormal principalmente após a relação sexual, dor pélvica e corrimento com odor desagradável. Caso sinta alguma anormalidade, a paciente deve procurar imediatamente um especialista para realizar uma avaliação ginecológica”, afirma a especialista.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o enfrentamento passa por quatro pilares principais:
Vacinação contra o HPV: principal forma de prevenção, a vacina protege contra o vírus HPV, responsável pela maioria dos casos. No Brasil, o imunizante é oferecido gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos até os 45 anos. A meta global é alcançar 90% de cobertura vacinal entre meninas até os 15 anos.
Rastreio com teste de HPV: considerado o padrão-ouro, o teste de biologia molecular permite identificar a presença do vírus antes do desenvolvimento de lesões. A recomendação é testar 70% das mulheres com exames de alta precisão aos 35 e 45 anos.
Exame preventivo (Papanicolau): fundamental para detectar alterações já existentes, o exame permite intervenção precoce e evita a progressão para o câncer.
Tratamento precoce: garantir acesso rápido ao tratamento é essencial. A meta é que 90% das mulheres com lesões precursoras sejam tratadas de forma adequada e oportuna.
Um chamado à conscientização: silencioso em suas fases iniciais, o câncer do colo do útero reforça a importância da prevenção e da adesão aos exames de rotina. Especialistas destacam que o fortalecimento das políticas públicas, aliado ao engajamento da população, é essencial para reduzir a incidência e a mortalidade da doença. A campanha Março Lilás surge, assim, como um convite à informação, ao cuidado e à ação coletiva – passos fundamentais para que o Brasil avance rumo à eliminação do câncer do colo do útero.
Expertise oncológica do Santa Marcelina: com mais de 140 serviços de assistência em saúde, o Hospital Santa Marcelina é referência no tratamento de câncer ginecológico de modo geral, incluindo o tumor do colo de útero, que registrou 407 pacientes atendidas em 2024 e, até o momento, 166 casos em 2025.
“As pacientes diagnosticadas com a doença passam por um processo de estadiamento clínico sendo submetidas a exames de imagem e exame físico completo a fim de avaliar o tratamento adequado em cada caso, podendo ser adotada a radioterapia, quimioterapia ou procedimentos cirúrgicos”, comenta a Dra. Thais Almeida.
Após o término do tratamento, as mulheres são acompanhadas pelas equipes do hospital com exames trimestrais durante dois anos, semestrais do segundo ao quinto ano com a possibilidade de alta após 5 anos.