Ansiedade, desânimo, alteração no humor, problemas de sono e preocupação excessiva. Esses são alguns dos sintomas que o corpo pode apresentar para indicar que está na hora de dar atenção à saúde mental. Estamos no “Janeiro Branco”, mês que tem como objetivo alertar sobre a importância dos cuidados com a saúde mental, renovar e estabelecer novas metas, e o bem-estar emocional. Além de reforçar a importância da reflexão e conscientização sobre o tema, a campanha busca estimular a prevenção do adoecimento emocional não somente em janeiro, mas durante o ano todo.
Manter a saúde mental como prioridade não é um evento isolado, mas uma sucessão de escolhas diárias. Em 2026, com o avanço tecnológico e a velocidade das informações, é importante manter o equilíbrio. Colocar-se em primeiro plano exige coragem para estabelecer limites e sabedoria para ouvir os sinais que o corpo e a mente enviam.
Assim como cuidamos da higiene do corpo, a mente precisa de uma limpeza diária de pensamentos e preocupações. É necessário dedicar 10 minutos ao final do dia para o “esvaziamento mental” ou para a meditação de escaneamento corporal. Essas práticas ajudam a reduzir a ansiedade e prepara o cérebro para um sono de qualidade.
Dizer “não” para demandas excessivas é dizer “sim” para a paz de espírito. “Identifique áreas da vida que drenam a energia. Pode ser o excesso de horas extras, relações tóxicas ou o tempo excessivo nas redes sociais. Estabelecer limites claros reduz o estresse crônico e protege a reserva cognitiva, permitindo o foco no que realmente importa”, esclarece o coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Santa Marcelina, Dr. Thiago Rodrigues de Castro.
Segundo o especialista, a solidão é um dos maiores vilões da saúde mental moderna. Priorizar a mente envolve nutrir laços. “Marcar encontros presenciais, praticar a escuta ativa e investir em comunidades (seja um clube do livro ou um grupo de esportes). A conexão humana libera ocitocina, o hormônio que atua como um amortecedor natural contra o estresse e promove a sensação de segurança e bem-estar. Priorizar a saúde mental também significa reconhecer quando não conseguimos caminhar sozinhos. A terapia e o apoio profissional são ferramentas de força, não de fraqueza.”, orienta o Dr. Thiago.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em setembro de 2025, revelam que mais de um bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais, e a ansiedade e a depressão são as condições mais prevalentes. Entre as doenças que mais geraram benefícios por incapacidade temporária, novamente, se destacam a depressão e a ansiedade. Juntas, elas somam quase meio milhão de casos, o maior número em pelo menos 10 anos. Os números só comprovam como as pessoas estão cada vez mais adoecidas mentalmente e apontam para a urgência de políticas institucionais de acolhimento e prevenção, uma vez que as consequências desses transtornos vão muito além do afastamento do trabalho.
Sinais de alerta não devem ser ignorados
Sentimentos de ansiedade, depressão, irritabilidade, desânimo, perda de interesse pelo trabalho, incompetência e fracasso são sinais de alerta que podem vir acompanhados de manifestações psicossomáticas, como dores musculares, dor de cabeça, distúrbios gastrointestinais, alterações do sono e fadiga.
De acordo com o Dr. Thiago Rodrigues de Castro, lidar com esses sentimentos é um processo delicado que não deve ser ignorado. “A pessoa deve adotar algumas estratégias de cuidado e proteção, como legitimar e reconhecer que o sofrimento existe, tem sentido e que é preciso procurar ajuda”, pontua.
Ações podem ser adotadas para o equilíbrio mental
Buscar apoio especializado quando necessário: quando o sofrimento se intensifica, é importante procurar apoio profissional;
cultivar relações positivas: manter contato com familiares e amigos de confiança fortalece a rede de apoio;
praticar o autocuidado: reservar um tempo para atividades prazerosas e relaxantes promove uma sensação de bem-estar e tranquilidade;
romper o isolamento e buscar espaços de fala: falar sobre o que se vive no trabalho é fundamental. Investir em bons hábitos alimentares e dormir bem também é essencial;
compartilhar experiências com colegas de confiança que permitam elaborar o sofrimento;
é importante fazer atividades que tragam satisfação. Momentos de lazer, prática de hobbies, esportes ou atividade física propiciam bem-estar psíquico e são estratégias importantes para lidar com o estresse;
estabelecer metas tangíveis, com prazos mais curtos ou divididas em etapas. Não é necessário esperar uma época específica, como dezembro ou janeiro, para traçar planos ou avaliar o percurso, pois o que depende do comportamento pode ser buscado em qualquer momento do ano;
ter uma atitude de autocobrança exagerada nesta época, poderá dificultar o reconhecimento dos esforços e conquistas ao longo do ano. O ideal é que o exercício de auto-observação seja cotidiano e realizado com generosidade e autoacolhimento.
“É natural que os acontecimentos, por vezes, não ocorram como esperado ou que as prioridades mudem no meio do caminho. Nesse caso, é fundamental reconhecer as qualidades, habilidades e recursos internos para lidar com as adversidades e, se necessário, reprogramar a rota”, finaliza o psiquiatra do Santa Marcelina.