Médica do Santa Marcelina realiza planejamento pré-operatório inédito com bebês simuladores, aumentando o êxito em neurocirurgias pediátricas

Há três anos a Dra. Giselle Coelho, médica da equipe de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital Santa Marcelina de Itaquera, realiza com êxito cirurgias de correção de Cranioestenose e Hidrocefalia em modelos híbridos ( modelos anatômicos customizados a partir das imagens de ressonância magnética e tomografia computadorizada dos próprios pacientes).“Estes modelos inicialmente são impressos em 3D e posteriormente são modificados por artistas plásticos que adaptam as características específicas da pele, osso cérebro podendo apresentar inclusive efeito de sangramento local”, explica a médica.

Recentemente a Dra. Gisele Coelho participou do planejamento e da cirurgia de separação das gêmeas siamesas “Mel e Lis”, que nasceram unidas pela cabeça. O procedimento cirúrgico aconteceu no último dia 27 de abril no Hospital da Criança de Brasília. Ela também é a única médica brasileira a ganhar o Prêmio “Jovem Neurocirurgião”, da World Federation for Neurosurgical Societies (WFNS) em 2015.

Os bebês, criados pela médica há 6 anos são simuladores ultrarrealistas de cirurgia e produzidos com tecnologia 100% nacional. Estes modelos permitem o treinamento das técnicas cirúrgicas clássicas e minimamente invasivas, além da simulação de diversas complicações, inclusive com sangramentos. “Os bebês simuladores têm papel fundamental na redução de erros da curva de aprendizado dos jovens médicos, devido a possibilidade de repetição do procedimento quantas vezes forem necessárias até chegar no acerto, garantindo muito mais segurança aos médicos e pacientes submetidos aos procedimentos reais. Além disso, é uma ferramenta valiosa de supervisão e certificação do jovem neurocirurgião”, ressalta a especialista.

Sobre o nascimento dos bebês simuladores

A Dra. Giselle Coelho explica que a ideia de desenvolver um simulador que permitisse o treinamento de abordagens cirúrgicas em bebês surgiu durante seu quarto ano da residência médica em Neurocirurgia (em 2009) e chegou a ser bastante desestimulado por vários colegas e preceptores brasileiros.

O sonho começou a tomar corpo para a realidade quando a Dra. Giselle Coelho viajou em 2010 para a Harvard Medical School para realizar um curto período de fellowship em planejamento cirúrgico e estimulação magnética transcraniana. “Em uma conversa informal com um colega sobre o meu projeto, o mesmo, que era chefe da Urologia Pediátrica, fez contato telefônico imediato com professor Dr. Benjamin Warf, um dos principais nomes da neurocirurgia mundial, que agendou uma reunião comigo para o dia seguinte. Montei uma apresentação com uns simuladores adultos que estava projetando e o professor ficou impressionado. Meu inglês, ainda bem ruim na época e o nervosismo de estar em frente de um dos maiores nomes da neurocirurgia ainda me permitiram compreender a frase proferida por ele: ´Incrível! Eu estava esperando por este simulador pediátrico há 20 anos´.”.

Foram quatro anos de trabalho intenso e algumas dificuldades, até porque a médica não dominava o inglês e teve que correr atrás do aprendizado do idioma durante o processo. ”Mas, ao final, criamos um simulador muito realista, compreendendo da forma mais fidedigna possível o corpo humano de um bebê, e com todas as vertentes de simulações vistas em casos reais para o melhor aprendizado do jovem neurocirurgião.