Cortar 15% das calorias pode retardar o envelhecimento

Cortar as calorias que você consome pode retardar o processo de envelhecimento e proteger contra doenças relacionadas à idade. É o que diz uma pesquisa publicada no jornal especializado Cell Metabolism. Em um dos primeiros estudos desse tipo em humanos, cientistas do Instituto de Pesquisas Biomédicas de Pennington, nos Estados Unidos, descobriram que o corte de calorias em 15% leva à perda de peso, reduz o estresse oxidativo (processo que tem sido vinculado ao diabetes, câncer, doença de Alzheimer e outras condições relacionadas à idade) e ativa o metabolismo. “Reduzir a ingestão de calorias traz benefícios para a saúde de todas as pessoas, independentemente de seu estado atual de saúde”, disse a médica Leanne M. Redman, principal autora do estudo, a CNN. Depois de apenas um ano com uma dieta reduzida em calorias, os participantes do estudo viram suas taxas metabólicas caírem significativamente. A taxa continuou baixa no segundo ano e levou a uma diminuição geral no estresse oxidativo.


Resultados da Pesquisa

Durante a primeira fase do estudo, os pesquisadores da Universidade de Pennington, nos Estados Unidos, e do Instituto Nacional do Envelhecimento, responsável pelo financiamento do projeto, realizaram experimentos iniciais para descobrir que tipo de restrição calórica os voluntários poderiam fazer para alcançar os resultados esperados.

Outra pergunta a ser respondida era que tipo de restrições calóricas impactariam nos biomarcadores de envelhecimento, que são medições biológicas simples que diferenciam pessoas que vivem mais tempo (90 a 100 anos) de pessoas que vivem a expectativa de vida média. “Sabemos que os indivíduos de vida mais longa são capazes de manter níveis mais baixos de insulina e de açúcar no sangue, além de terem níveis menores de temperatura corporal em comparação com pessoas que não vivem tanto quanto eles”, disse Leanne.

A equipe da Universidade de Pennington manteve a pesquisa focada na redução de calorias em 25% apenas com dieta. Os cientistas recrutaram 53 pessoas entre 21 e 50 anos, que não eram obesas, e reduziram sua ingestão de calorias durante um período de dois anos. “Ao longo de todo o estudo, os voluntários comeram o que gostaram, mas também tomaram vitaminas e suplementos para garantir que suas dietas fossem ‘nutricionalmente adequadas’”, disse Leanne.

Ao final dos experimentos, os cientistas notaram que os participantes perderam 9kg até o final do primeiro ano, mantendo essa perda durante o segundo. “As pessoas atingiram 15% de restrição calórica, real, ao longo dos dois anos. Apesar de não ser a redução esperada, os resultados da menor quantidade corte calórico foram ‘bastante notáveis’”, afirmou a pesquisadora. Ela revelou ainda que a dieta também causou uma redução na taxa metabólica em cerca de 10%.

Diminuição do Metabolismo

Um metabolismo retardado significa que o corpo se tornou mais eficiente no uso de combustível – seja de alimento ou oxigênio – para obter energia. Segundo Leanne, toda vez que geramos energia no corpo, geramos subprodutos. Estes subprodutos do metabolismo normal, também chamados de radicais de oxigênio, se acumulam no corpo e, ao longo do tempo, causam danos às células e órgãos, e esse dano é o que está ligado a uma expectativa de vida menor.

“Restringir calorias pode retardar seu metabolismo basal, e se os subprodutos do metabolismo aceleram o processo de envelhecimento, a restrição calórica sustentada por vários anos pode ajudar a diminuir o risco de doenças crônicas e prolongar a vida”, explicou Leanne. Ainda não está claro quantos anos a mais é possível ganhar com a redução de calorias, mas a pesquisadora acredita que o corte de calorias em 25% pode prolongar a expectativa de vida em até sete anos.

De acordo com a ela, o truque para alcançar esse resultado é seguir a dieta mesmo depois de perder peso. Embora pareça uma tarefa difícil, é necessário manter a rotina para que a medida traga os benefícios esperados para as causas secundárias do envelhecimento. “Estas são doenças relacionadas ao estilo de vida, como doenças cardíacas, diabetes, derrame, etc. Vimos que biomarcadores como níveis de açúcar no sangue, insulina e lipídios também melhoraram com a restrição de calorias neste grupo de pessoas já saudáveis”, disse.

Fonte: Revista Veja